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Alfavela e Alfavile – dois lados de uma mesma cidade de São Paulo

Posted in Sem categoria with tags , , on 26/11/2013 by gotaspaulistas

Imagemalphavela

A difícil convivência entre dois extremos de formas de ocupação urbana. Em tempos anteriores poder-se-ia dizer que eram imagens que se referiam às partes centrais de uma cidade e sua periferia. No entanto, hoje em dia, em São Paulo não se organiza desta maneira: da forma  como foram desenhados os territórios das subprefeituras quando da sua criação, o que incluía além da agregação dos já criados Distritos (Lei Orgânica, Art. 157 – O Município instituirá a divisão geográfica de sua área em distritos, a serem adotados como base para a organização da prestação dos diferentes serviços públicos) também definiram um patamar demográfico na base de cerca de 300 000 hab cada uma, aproximadamente. A partir da adoção do novo recorte territorial, uma parte da organização urbanística da cidade se perde – a história dos bairros da cidade. Dessa maneira – e de maneira inexorável – parcelas dos bairros passaram a pertencer a administrações regionalizadas diferentes alterando uma visão integradora prevista no conceito de subprefeitura.

Olhando de perto, ninguém é normal

No entanto e apesar da aparente homogeneidade das áreas centrais de São Paulo, as mesmas escondem-se diferenças que se diluem nos números médios apresentados pelos distritos conforme pode ser visto no mapa apresentado pelo jornal “O Estado de São Paulo” em 24 de novembro de 2013. Segundo o que se pode ver, por meio dos registros dos setores censitários sobre o levantamento realizado pelo Censo de 2010, a despeito das diferenças existirem em toda a área urbana da cidade, em alguns distritos as diferenças são maiores ou mesmo menores.

A cidade e os indicadores da urbanização

Fonte: O Estado de São Paulo sobre os dados do Censo 2010/IBGE.

Neste sentido da análise da predominância dos itens coletados, o distrito da Consolação aparece como campeão de urbanização conforme indica o texto “A maioria dos domicílios com índice de urbanismo máximo está no centro expandido ou em bairros nobres. O melhor distrito é a Consolação, onde a nota média é 97. Em seguida vêm outros bairros de urbanização antiga, como Jardim Paulista, República, Santa Cecília e Bela Vista, com índice maior que 90.” Porém basta tentar chegar ao centro histórico da Sé para termos que passar pelo Glicério, enclave de habitações inadequadas, moradores de rua, imóveis tombados invadidos e transformados em cortiços. Segundo a publicação da CDHU/Governo do Estado de São Paulo denominado “Relatório Geral do Programa de Atuação em Cortiços (julho de 2012), cortiços são moradias multifamiliares, subdivididas em cômodos alugados informalmente , situados em áreas urbanas dotadas de infraestrutura completa, e que apresentam condições físicas precárias, uso coletivo das instalações sanitárias e sobreposição de funções sem qualquer privacidade. Ou seja, nem sempre a presença da infraestrutura transforma áreas inadequadas sob o ponto de vista da ocupação em boa qualidade de vida.

Segundo o relatório realizado pelo CDHU/2012, pode-se verificar, segundo o critério utilizado pela pesquisa, a principal ocorrência territorial deste tipo de habitação.

Localização de cortiçosTodas estas questões remetem à necessidade de conhecimento profundo da base territorial das subprefeituras e da incorporação da população em todas as instâncias da administração pública local para a resolução e encaminhamento das ações para atuação direta na qualidade de vida da população e – estritamente ligada a esta – da qualidade da vida nos bairros e na cidade como um todo.

Por fim, seguindo a linha apresentada pelo relatório do CDHU se faz necessário a mudança de paradigmas onde habitação boa é a habitação nova, para um olhar diferenciado para o patrimônio urbano da cidade.

CDHU/2012

CDHU/2012

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