Archive for the Vida Urbana Category

O Paradoxo da Urbanização

Posted in Cultura urbana, Meio ambiente e urbanização, Vida Urbana on 19/02/2020 by gotaspaulistas

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O processo de desenvolvimento de todas as formas de vida no planeta se deram simultaneamente. No entanto, nem todas se desenvolveram da mesma forma, sendo que, ao longo das eras, algumas despontaram como mais capacidade de sobrevivência do que outras. A nossa espécie humana, se vista de maneira mais finalista, foi a espécie vitoriosa que dominou e ocupou todo o planeta.

No entanto, não se pode entender a presença da vida no planeta de maneira finalista, ao contrário! Todo o nosso cenário de desenvolvimento que acreditamos e creditamos como permanente, pode vir a mudar e dar origem a fatos novos. Como diziam os nossos ancestrais, aquilo que cura também mata.

Voltando para nossas considerações, podemos afirmar que as primeiras vitórias dos seres humanos sobre as demais espécies que se formaram na face da Terra foi a capacidade de se unir em grupos para a sobrevivência coletiva, como também de se fixarem em determinadas localizações o que lhes provia a defesa e a alimentação do grupo. O registro desta primeira fase humana que os arqueólogos denominam “out of Africa” é apresentada pela reprodução das caçadas  por esta população onde o viver junto permitia a sobrevivência de todo um grupo.

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É possível que a convivência no grupo tenha aperfeiçoado o desenvolvimento de novos instrumentos utilizáveis tanto para a defesa quanto na caça. No entanto, o principal elemento que alterou qualitativamente a organização dos seres humanos, em relação às demais espécies existentes foi o seu processo de permanência em partes importantes do vasto território do planeta. A permanência permitiu a melhora das condições de sobrevivência assim como permitiram a estabilização da alimentação por meio do desenvolvimento da agricultura. Rapidamente estes aglomerados se desenvolveram em várias atividades desenvolvidas pelas comunidades e seu  desenvolvimento pela continuidade da alimentação fornecida pela crescente agricultura fortalecida pela caça.

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O restante da estória, já é bastante conhecida, com a estabilização da alimentação e da habitação, os grupos humanos se desenvolveram, dominaram boa parte das demais espécies e se multiplicou. O resultado mais importante de tudo o que aconteceu foi a formação e desenvolvimento de aglomerados humanos, que  denominamos de cidades. Deste começo difícil, passamos a ocupar todo o território do planeta transformando-nos nos maiores predadores surgidos no planeta.

Em termos atuais o planeta todo agrega conjuntos populacionais que demandam, em termos modernos, habitações e alimentos em termos básicos, mas também, saúde, ocupação , e também divertimento, educação, participação, enfim um complexo sistema de sobrevivência que está esgotando o planeta, e este é o grande paradoxo na nossa existência do planeta – não temos mais predadores, além de nos mesmos. Ou ainda, não tínhamos, mas agora é provável que venhamos a ter, em resposta planetária ao nosso processo de ocupação ou seja, a alteração ambiental gerando novos seres terrestres que nos atingem por meio da execução desastrosa de seus habitats naturais.

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Este é o grande paradoxo do processo humano de ocupação do planeta – a destruição tanto dos elementos naturais presentes quanto dos outros seres que sobreviveram até os tempos atuais. Cabe às novas gerações modificares este processo de forma a podermos existir com uma nova maneira e extinguirem o grande paradoxo da nossa presença.

CONVITE

Posted in Vida Urbana with tags on 13/06/2011 by gotaspaulistas

Gotaspalistas sai um pouco do seu tema para convidar para um lançamento de um livro, intitulado “Sem patrão” onde:
 
Sem patrão, trabalhadores assumem e recuperam fábricas falidas
 
Como pensar os modelos econômicos em curso hoje no mundo? A partir do Estado e sua ótica, unicamente? Ou tomando por base o mercado, exclusivamente? Da função da propriedade estatal, ou, pelo contrário, do alcance da propriedade privada? Mais: é possível colocar uma cunha no meio disso? Ou seja, repensar uma outra economia de fato, de caráter mais acentuadamente público, rompendo efetivamente com uma lógica – até aqui largamente dominante, por sinal – que parece oscilar ora entre o setor estatal da atividade econômica, ora entre o setor privado dessa mesma atividade? São muitas as perguntas, sabemos todos. Mas este livro – de título para lá de sugestivo:
Sem patrão – começa a esboçar algumas respostas. E o faz contando a experiência de grandes fábricas e empresas geridas pelos próprios trabalhadores, e isso em um país vizinho ao nosso – a Argentina. Transparece nas páginas de Sem patrão toda uma luta quase titânica, por muitos aspectos, exemplar, desses trabalhadores pelo direito à sobrevivência e à dignidade. Vale dizer, a partir de uma realidade bem concreta, vivida pelos operários e demais trabalhadores industriais são alinhados e debatidos temas relevantes como processo autogestionário, propriedade coletiva, cooperativismo – os quais talvez se projetem como dominantes nos próximos decênios no tocante à gestão econômica.
Além do que, trata-se de obra palpitante, que se lê como uma reportagem – ou um romance da vida real. Em tempo: a própria obra é uma criação coletiva, sendo assinada pela Cooperativa de Trabalho Lavaca, um meio de comunicação social de propriedade dos que nele trabalham. Nada mais adequado do que isso para traduzir esses novos tempos em que os trabalhadores se tornam, em todos os níveis, sujeitos de sua própria história.
Serviço:
Lançamento do Livro Sem Patrão
Debate: com Paul Singer e Sergio Ciancagline (co-autor)
Autores
: Coletivo Lavaca (Argentina)
Quando: 17 de junho de 2010, sexta-feira, às 19h
Onde: Livraria da Vila, Alameda Lorena, 1731, São Paulo – SP

Debate interessante, especialmente quando se discute a respeito da esquerda e seu possível modo de operação

ARQUITETURAS…

Posted in Vida Urbana on 03/11/2010 by gotaspaulistas

Mais uma vez o gotaspaulistas sai um pouco de seu objetivo de comentar o cotidiano do urbanismo para dar um pouco de risada sobre si mesmo… É ótimo ver com um riso crítico aquilo que se pretende que tenha seriedade.. A primeira imagem do angeli é sobre a Casa Municipal de los Perros Abandonados (Catalunha – 1923), o segundo o Centro de Reabilitação de Monges Siberianos Drogados (Bagdá-1956) e o último o Instituto de Estudos Psiquiátricos da Basiléia (Suiça-2000). Maravilhoso trabalho de criação!

MINISTÉRIO PÚBLICO DISCUTE ÁREAS DE RISCO MUNICIPAIS

Posted in Vida Urbana with tags , , on 13/10/2010 by gotaspaulistas

Esta semana que passou, aconteceu no Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional da Escola Superior do Ministério Público de São Paulo, seminário que discutiu o planejamento municipal e as áreas de risco a partir da premissa da discussão para o levantamento de subsídios para a consecução da nova recomendação referente à matéria. Em tres dias, vários especialistas, advogados e promotores, conversaram sobre a questão que atinge uma parcela grande da população brasileira, seus aspectos materiais e imateriais, assim como os aspectos de prevenção e preparação para emergências.

Segundo matéria veiculada pelo jornal “O Estado de São Paulo” sob o título de “Cidades sem fim”  a localização primordial da população brasileira  se dá nas 15 regiões metropolitanas brasileiras. São 311 cidades (no Brasil há 5.561 municípios), onde vivem 69 milhões de pessoas (37% da população nacional). Essas metrópoles são formadas por cidades superpovoadas, que se interligam a municípios vizinhos de menor porte, sem serem interrompidas por fronteiras.

 Um primeiro desafio apresentado aos gestores estaduais e nacionais é a escala do problema. Nessas 15 metrópoles estão concentradas as melhores oportunidades profissionais, amplas redes de contato, inteligência e dinamismo. Abrigam 79% das 500 maiores empresas brasileiras, 67% dos empregos em atividades de ponta, 74% do movimento de passageiros de tráfego aéreo.

Ao mesmo tempo, os habitantes dessas áreas vivem uma realidade social caótica, típica também das metrópoles. Reduto das moradias precárias, 70% da população das favelas brasileiras está nesses agrupamentos de luzes. Cerca de 40% de seus habitantes vivem em condições sanitárias ruins. “A alta concentração populacional e econômica em torno das metrópoles pode trazer vantagens ou criar transtornos. A concentração favorece investimentos em escala. Caso o potencial seja bem aproveitado, as metrópoles podem virar turbinas do desenvolvimento nacional. Se isso não acontece, além de sofrer a maioria da população, o problema se irradia para todo o País”, analisa o professor Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro, coordenador do Observatório das Metrópoles da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na matéria em questão.

Na prática, estes números descortinam uma outra realidade: as melhores localizações são ocupadas pelas pessoas que podem pagar – e bem – por elas. Para os demais moradores restam as áreas que não servem a uma utilização imediata, quer pela sua localização – distante das áreas onde são oferecidos os serviços – quer pela dificuldade na ocupação – áreas com altas declividades – e áreas deixadas sem ocupação porquanto são protegidas pela legislação ambiental, tais como as várzeas de rios e córregos.

Seguindo as análises do seminário, além da atuação da própria promotoria da área da Justiça, da Habitação e Urbanismo da Capital, foram discutidos os mecanismos legais que possam impedir que estas ocupações aconteçam. As análises sobre os instrumentos da lei federal 10 257/01, o Estatuto da Cidade, deixaram claro que os conteúdos, as proibições, não estão presentes nesta lei, ficando a sua aplicação dependendo dos critérios dos municípios.

Segundo os comentários da advogada Mariana Moreira, estes elementos técnicos são parte da Constituição Estadual de são Paulo que reza, no seu artigo 18o que no estabelecimento de diretrizes e normas relativas ao desenvolvimento urbano, o Estado e os Municípios assegurarão:I – o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e a garantia do bem-estar de seus habitantes;II – a participação das respectivas entidades comunitárias no estudo, encaminhamento e solução dos problemas, planos, programas e projetos que lhes sejam concernentes;III – a preservação, proteção e recuperação do meio ambiente urbano e cultural;IV – a criação e manutenção de áreas de especial interesse histórico, urbanístico, ambiental, turístico e de utilização pública;V – a observância das normas urbanísticas, de segurança, higiene e qualidade de vida;VI – a restrição à utilização de áreas de riscos geológicos.

Ainda seguindo os seus comentários, fica claramente marcada a necessidade dos municípios de executarem o mapeamento das áreas impedidas de serem utizadas para a urbanização.

A questão social e as áreas de risco foi tratada no último dia de trabalho, a partir das exepriências da prefeitura de São Paulo em retirada de pessoas e da memorável palestra da Prof.ª Norma Valêncio da UFSCAR. Por meio destas discussões a população adentrou a problemática tratada e ocupou parcela importante das preocupações dos participantes até por conta da importância do tema: A crueldade institucional no contexto de desastres no Brasil: discursos e práticas sócio- políticas de desumanização dos afetados. Segundo a Prof.ª Norma, o desastre é a concretização do risco e da sua preparação/prevenção. Na visão da professora, a questão humana é excluída desta equação perversa que penaliza populações.

Como indicadores de crueldade institucional a Prof.ª Norma elenca: indiferença ao sofrimento, demora nos procedimentos que podem salvar vidas, obstrução aos procedimentos de prevenção e preparação para mitigação dos desastres.

A sociedade contemporânea e o futuro das cidades

Posted in 1, urbanismo, Vida Urbana with tags on 07/03/2010 by gotaspaulistas

No caderno de hoje – domingo, dia 07 de março – aparece a discussão de alguns temas que podem oferecer um novo olhar para o futuro das cidades. Como sempre, as questões que embasam tal raciocínio são apoiadas no princípio de que a sociedade transforma as estruturas materiais onde vive. Nunca havia visto uma confirmação tão clara disso quanto da proibição da construção de minaretes na Suiça e na discussão sobre a proibição de uso da burca nos espaços urbanos da França. A questão que se coloca hoje é: qual a característica da população urbana ? Assumimos de antemão que a globalização é uma realidade, levada aos extremos, que a utilização da alta tecnologia é irreversível e que os modelos anteriores de conceitos filosóficos ligados a valores não conseguem se sustentar nos tempos em que vivemos. Neste sentido o artigo “A sociedade Narciso e a saúde” de autoria de Roger Cohen do NYT no Caderno Vida do Jornal “O Estado de São Paulo”, traz o primeiro elemento que gostaria de apresentar. Segundo este texto, onde Édipo um dia nos atormentava, agora é Narciso. Segundo o autor ” a comunidade – um emprego estável, experiência nacional compartilhada, família grande, sindicatos – desapareceu ou se desgatou. Em seu lugar entrou um undividualismo frenético, o solipsismo (doutrina segundo a qual a única realidade presente no mundo é o eu) de olhos grudados nas telas, os prazeres incorpóreos das redes sociais de relacionamento e a vida à la carte definida por 600 canais de TV e uma multidão de blogs (!). Sentimentos de ansiedade e inadequação crescem na câmara solitária de introspecção e projeção.” Ainda segundo o autor, esta face permeia todo o mundo atual, atingindo – indistitntamente – as democracias modernas globalizadas e aos novos modos de vida asiáticos, parecendo que estamos tão solitários como aqueles pequenos aviões sobre o Atlântico em mapas de navegação em vídeos de bordo.

O segundo elemento – que se soma à análise anterior – é  o intitulado “Conto das Arábias” escrito por Simon Kuper no Caderno “Mais!” do jornal “Folha de São Paulo”. Nele volta-se ao comentário sobre a presença muçulmana na Europa e principalmente na França. Segundo este texto, um possível retrato do futuro da Europa pode ser encontrado em um bairro parisiense decadente a leste do centro da cidade que é repleto de restaurantes que servem cuscuz, livrarias islâmicas e cidadãos franceses de origem árabe. Seu nome é Belleville onde cerca de 1,5 milhões de de muçulmanos nominais (identificados corupo étnico não necessariamente com a religião) vivem – mais do que qualquer outra cidade na Europa. Ainda seguindo o texto, as ruas estreitas de Belleville também são repletas de pessoas de origem chinesa, judaica, africa subsaariana e francesa de classe média. O importante deste bairro é que ele contraria o medo xenófabo de que a europa será tomada pelos árabes formando a “Eurábia”. Este elemento apresentado pelo artigo prenuncia um novo mundo urbano, onde as raças, etnias e religiões dividem os mesmos equipamentos e serviços urbanos.

Esta nova sociedade moldará o futuro dos espaços urbanos, que, necessariamente resultará no sincretismo cultural das sociedades que nela vivem. Neste novo espaço urbano, seguramente os minaretes serão permitidos, assim como a presença de mulheres com burcas passará desapercebido. Como comentário final, este artigo informa que os novos habitantes urbanos são mais sujeitos a se modificarem na presença do ambiente europeu que o contrário, formando, dessa maneira uma nova maneira de se viver vida as grandes metrópoles urbanas deste século XXI. É importante ficar atento a isso.