Archive for the Meio ambiente e urbanização Category

O alto custo do baixo custo

Posted in Meio ambiente e urbanização with tags on 05/03/2020 by gotaspaulistas
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Apesar do longo período da instalação do processo de ocupação na América do Sul onde optou-se por misturar desbravadores, novos ocupantes e população local, o processo de urbanização se intensifica tanto no sentido original de ocupação em áreas já utilizadas assim como pela ocupação das áreas descartadas pelo processo de construção das cidades e,pior, deixando as áreas áreas ambientais serem invadidas pela população que não tem acesso ao custo que representa viver na cidade legal.

Este intenso processo de crescimento das áreas urbanizadas já intensamente definidas pela presença da população de baixa renda, apresentam baixo ou muito baixo indicador da presença de equipamentos sociais,assim como sobrevivem em razão da ocupação ou de áreas ambientais ou com altos problemas ligados à ocupação.

Outro elemento importante na precarização das área urbanas consiste nas importantes mudanças e impactos produzidos pelas modificações advindas das profundas alterações ocorridas no seio das atividades econômicas realizadas nas cidades, onde os instrumentos tecnológicos tem substituído a mão de obra urbana, precarizando, dessa maneira o acesso ao trabalho e à renda para poucos.

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Alto desemprego nas cidades

Dessa maneira, como se diz no jargão popular, o barato sai caro, e vem ficando mais caro à medida que o aumento da população urbana continua e, sem que existam planos para habitação de interesse social, dar apoio e sustentação em casos de urgência torna-se tarefa extremamente complicado.

Segundo o estudo realizado por Norma Valêncio no estudo “O Desastre como Objeto de Reflexão das Ciências Humanas: discussões recentes das relações entre os gestores e os afetados” , a Política Nacional de Defesa Civil (PNDC) do Brasil, instituída por decreto em 1995, criou o Sistema Nacional de Defesa Civil (Sindec) cujos órgãos, nos três níveis de governo (municipal, estadual e federal), deveriam agir integradamente e em prol do cidadão na redução de desastres; ou, em vista do desastre, ampará-lo. A PNDC reporta, como objetivo geral da defesa civil, a garantia do direito natural à vida e à incolumidade em circunstância de desastre, para o que elegeu, discursivamente, reduzir os desastres através de ações de prevenção, preparação, resposta e reconstrução .

Ainda segundo Norma Venâncio há, contudo, uma contradição entre o objetivo supra e sua materialização através das práticas dos agentes do Sindec, as quais, ao invés de atenuarem, recrudescem a vulnerabilidade de grupos empobrecidos país afora. Ainda segundo a autora, a cada ano, famílias que se veem na injunção de habitar moradias subnormais, sobretudo nas periferias urbanas, enfrentam os episódios de deslizamentos, inundações, enchentes, ventos fortes, que abatem seus frágeis imóveis e corroem sua capacidade de sobreviver. Diante o desastre vivenciado, as interpretações da defesa civil invisibilizam a responsabilidade pública pelo ocorrido e imputam-na aos próprios afetados. Associado a isso, há a prescrição de recomendações paliativas para que essas pessoas se adequem à desigualdade territorial e à subcidadania.

Segundo David Harvey no seu livro “Cidades Rebeldes”,, Em grande parte do mundo capitalista, as fábricas desapareceram ou diminuiram tão dráticamente que dizimou-se a classe operária industrial clássica. Ainda segundo Harvey, o trabalho importante e em permanente expansão de criar e manter a vida urbana é cada vez mais realizado por trabalhadores precários, quase sempre em jornadas de meio expediente, desorganizados e com salários irrisórios.

Ainda seguindo a narrativa de Harvey, a cidade tradicional foi morta pelo desenvolvimento capitalista descontrolado, vitimada por sua interminável necessidade de dispor da acumulação desenfreada de capital capaz de financiar a expansão interminável e desordenada do crescimento urbano, sejam quais forem suas consequências sociais,ambientais ou políticas.

Reforçando a imagem, o barato sai caro, como diz o popular.

Conjunto habitacional do tempo dos Institutos.

O Paradoxo da Urbanização

Posted in Cultura urbana, Meio ambiente e urbanização, Vida Urbana on 19/02/2020 by gotaspaulistas

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O processo de desenvolvimento de todas as formas de vida no planeta se deram simultaneamente. No entanto, nem todas se desenvolveram da mesma forma, sendo que, ao longo das eras, algumas despontaram como mais capacidade de sobrevivência do que outras. A nossa espécie humana, se vista de maneira mais finalista, foi a espécie vitoriosa que dominou e ocupou todo o planeta.

No entanto, não se pode entender a presença da vida no planeta de maneira finalista, ao contrário! Todo o nosso cenário de desenvolvimento que acreditamos e creditamos como permanente, pode vir a mudar e dar origem a fatos novos. Como diziam os nossos ancestrais, aquilo que cura também mata.

Voltando para nossas considerações, podemos afirmar que as primeiras vitórias dos seres humanos sobre as demais espécies que se formaram na face da Terra foi a capacidade de se unir em grupos para a sobrevivência coletiva, como também de se fixarem em determinadas localizações o que lhes provia a defesa e a alimentação do grupo. O registro desta primeira fase humana que os arqueólogos denominam “out of Africa” é apresentada pela reprodução das caçadas  por esta população onde o viver junto permitia a sobrevivência de todo um grupo.

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É possível que a convivência no grupo tenha aperfeiçoado o desenvolvimento de novos instrumentos utilizáveis tanto para a defesa quanto na caça. No entanto, o principal elemento que alterou qualitativamente a organização dos seres humanos, em relação às demais espécies existentes foi o seu processo de permanência em partes importantes do vasto território do planeta. A permanência permitiu a melhora das condições de sobrevivência assim como permitiram a estabilização da alimentação por meio do desenvolvimento da agricultura. Rapidamente estes aglomerados se desenvolveram em várias atividades desenvolvidas pelas comunidades e seu  desenvolvimento pela continuidade da alimentação fornecida pela crescente agricultura fortalecida pela caça.

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O restante da estória, já é bastante conhecida, com a estabilização da alimentação e da habitação, os grupos humanos se desenvolveram, dominaram boa parte das demais espécies e se multiplicou. O resultado mais importante de tudo o que aconteceu foi a formação e desenvolvimento de aglomerados humanos, que  denominamos de cidades. Deste começo difícil, passamos a ocupar todo o território do planeta transformando-nos nos maiores predadores surgidos no planeta.

Em termos atuais o planeta todo agrega conjuntos populacionais que demandam, em termos modernos, habitações e alimentos em termos básicos, mas também, saúde, ocupação , e também divertimento, educação, participação, enfim um complexo sistema de sobrevivência que está esgotando o planeta, e este é o grande paradoxo na nossa existência do planeta – não temos mais predadores, além de nos mesmos. Ou ainda, não tínhamos, mas agora é provável que venhamos a ter, em resposta planetária ao nosso processo de ocupação ou seja, a alteração ambiental gerando novos seres terrestres que nos atingem por meio da execução desastrosa de seus habitats naturais.

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Este é o grande paradoxo do processo humano de ocupação do planeta – a destruição tanto dos elementos naturais presentes quanto dos outros seres que sobreviveram até os tempos atuais. Cabe às novas gerações modificares este processo de forma a podermos existir com uma nova maneira e extinguirem o grande paradoxo da nossa presença.

Direitos Urbanos – Formulação básica de Direitos Difusos

Posted in direitos urbanos, Meio ambiente e urbanização, urbanismo with tags , , on 13/04/2011 by gotaspaulistas

Ainda que o Estatuto da Cidade tenha vindo suprir um longo espaço de vazio institucional na questão da regulação urbana, é claro para os que militam na área, que muito ainda se tem para caminhar. A lei federal citada responde, atualmente, por grande parte das demandas do setor público como apoio legal às suas atividades. No entanto, alguns assuntos carecem de definição técnica ainda que, em termos legais, já exista o seu conceito genérico. É o caso da chamada “ordem urbana” , previsto na lei de Ação Civil Pública (Lei 7.347/85), com suas recentes alterações, que após a aprovação do Estatuto da Cidade, passou a incorporar o Art. 1º com a seguinte redação: “Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação popular, as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados: (Redação dada pela Lei nº 8.884, de11.06.1994): I – ao meio ambiente; II – ao consumidor; III – à ordem urbanística; (NR) (Redação dada ao inciso pela Lei nº 10.257.

 Esta é uma questão muito cara a quem lida com o urbano, sob o ponto de vista do urbanismo, ainda que sob o ponto de vista do projeto urbano, a questão seja tratada no âmbito dos paradigmas estéticos atuais. Segundo Edgard Morin, os saberes tradicionais foram submetidos a um processo reducionista que acarretou a perda das noções de multiplicidade e diversidade. Neste sentido a simplificação, de acordo com Morin, está a serviço de uma falsa racionalidade, que passa por cima da desordem e das contradições existentes em todos os fenômenos e nas relações entre eles. Em continuidade a este raciocínio,  o sociólogo francês defende a introdução da incerteza e da falibilidade na rigidez cultural do Ocidente acima de tudo. As limitações causadas pela compactação do conhecimento, de acordo com o educador, são responsáveis por manter o espírito humano em sua pré-história. Além disso, a tendência de aplicar conceitos abstratos vindos das ciências exatas e naturais ao universo humano resulta em desconsideração por aspectos como o ambiente, a história e a psicologia, entre outros. Um exemplo, diz o pensador, é a economia, a mais avançada das ciências sociais em termos matemáticos e a menos capaz de trabalhar com regularidades e previsões.

Diante dessas ponderáveis considerações, fica difícil a adoção de um conceito jurídico onde os parâmetros técnicos, na verdade, ficam à disposição do conceito geral estético aplicado por um jurista. Ainda segundo Morin, os conceitos de ordem, desordem e organização fazem parte da vida humana. Do ponto de vista da complexidade, ordem e desordem convivem nos sistemas. O que diferencia o todo da soma das partes é o que Morin denomina comportamento emergente. Nos seres humanos, a dinâmica entre ordem e desordem se subordina à idéia de auto-eco-organização: a transformação extrapola o indivíduo, se estendendo ao ambiente circundante. Uma vez que tudo está interligado, a solidariedade é tida pelo sociólogo como peça fundamental para superar aquilo que denomina crise planetária – uma situação de impotência diante de incertezas que se acumulam.

Por outro lado, ao explorar-se o universo da filosofia do direito, encontramos uma outra versão para a questão da ordem e da desordem. Gofredo Telles Júnior define ordem como a disposição conveniente de seres, para a consecução de um fim comum. A ordem visa a unidade da multiplicidade de seres.

A ordem, continua, pressupõe elementos materiais de constituição, que segundo os filósofos são a “causa material“. Toda unidade é composta de materiais ordenáveis. Tomaz de Aquino afirmava que “não há ordem sem distinção“. A forma da ordem (causa formal) é sempre constituída pela disposição imputada aos elementos materiais. A razão de ser da ordem (causa final) é a finalidade para a qual se forma a unidade.

A desordem não precede a ordem. Na verdade, toda desordem é uma ordem que não desejamos. A realidade é a ordem, jamais a desordem. A desordem compreende dois elementos, a saber: 1) fora de nós, uma ordem (criada pela vontade humana ou resultante do determinismo físico); 2) dentro de nós, a representação ou idéia de ordem, diferente da primeira, mas que é a que nos interessa. Dessa forma, a desordem pode ser objetiva e subjetiva. Porém, o que leva à denominação de desordem é dissociação entre a ordem existente e a nossa noção de ordem.

Segundo esta visão, a ordem é uma espécie de acordo entre o sujeito e o objeto. O espírito se encontrando nas coisas. Na prática, a ordem ou desordem varia de acordo com as conveniências. A desordem seria a falta de determinada ordem. Ao contrário, a falta de determinada ordem não é desordem, mas sim a existência de outra ordem (não desejada). A desordem em si é um nada, insuscetível de valoração.

Diante do exposto, o que fica claro é que a aplicação técnica do termo “ordem urbana” é extremamente vaga, e o pior, controversa.

TRAGÉDIAS SÃO PREVISIVEIS?

Posted in Meio ambiente e urbanização with tags , , on 27/01/2011 by gotaspaulistas

 

E é, e ainda será por um bom tempo, verão. Após esta estação, teremos mais 10 ou talvez 11 meses para esquecer o que aconteceu este ano em termos de desastres (quase) naturais. A administração pública tem algumas características que sempre é bom lembrar: tem memória curta – adora esquecer as coisas ruins que passou, detesta investir em obras que são enterradas, não gosta de criar desgosto na população – toda ela, e, especialmente, não gosta de resolver nada, só de enxugar o gelo.

 Explicando: em que pese a existência de fatores agravantes nos já conhecidos ambientais, são perfeitamente lembrados os lugares consagrados com enchentes. Lembro-me perfeitamente, quando do desempenho de cargo público, pedir a elaboração de mapeamento de áreas alagadas e receber como resposta de que bastaria a reedição da sua versão anterior, que por sua vez era a reedição de um mapa anterior. Ou seja, as áreas não haviam mudado nos últimos – pelo menos – 20 anos! 

Esta realidade só demonstra que não se atua preventivamente nas áreas “consagradas” porque não se quer. Caímos então na segunda questão: o poder público detesta investir em obras ditas “enterradas” – não carreiam votos ou gratidão. O bom funcionamento da cidade não é uma bonificação, ao contrário, é uma obrigação. E como tal, não merece reconhecimento: não se fez nada alem do seu serviço. Com certeza esta questão não auxilia em nada a disposição de verbas com esta finalidade. Outra vez: cansei de ver subprefeituras da cidade de São Paulo não aceitando emendas orçamentárias para este tipo de obra por representar atividades consideradas “difíceis” de serem executadas. 

Por último, mas não menos importante, as administrações não gostam de desagradar a população: nenhuma parte dela. Isso significa que: não gosta de fiscalizar. Quando é o poderoso é porque tem padrinhos e quando é sem recursos porque é injusto. Também elencado neste “ranking” encontra-se a retirada da população que se instala – na falta de locais e edificações apropriadas – em locais impróprios, ilegais e perigosos. Mexer com comunidades já instaladas (desde Pedro Álvares Cabral?) é mexer com vespeiro.

 Mesmo obras que beneficiam a população requerem profundo planejamento e atenção das equipes. Toda atividade exercida na periferia deveria ser realizada por equipes conhecidas de muito pela população e com confiança testada. Esta questão é quase impossível de realizar, pois as equipes técnicas e seus mandantes se alteram permanentemente, impossibilitando a realização conjunta de mudanças estruturais nestas comunidades.

 A conseqüência é aquela que todos nos já sabemos: desastres, mortes, perdas, enfim, tudo aquilo que enluta , denigre e impede o país de avançar a despeito dos inequívocos avanços na área da renda e na recuperação da auto-estima da população. E as cidades? As cidades vão bem, obrigada, especialmente nos bairros bem desenhados ( não “planejados”) onde se reconhece que existe um direito urbano e um direito à cidade. Intelectuais, técnicos e administradores de boa vontade têm brigado muito por isso. No entanto, a expectativa de lucros e ganhos é muito maior do que este pequeno exército de Brancaleone retratado no memorável filme de 1965 dirigido por Mario Monicelli.

Este clássico do cinema italiano, retrata os costumes da cavalaria medieval através de uma demolidora e bem humorada sátira. A figura central é Brancaleone, um cavaleiro atrapalhado que lidera um pequeno e esfarrapado exército, perambulando pela Europa em busca de um feudo. Segundo o site Historianet, trata-se de uma paródia a D. Quixote de Cervantes.
O filme consegue ser hilário, mesmo na reconstituição dos aspectos mais avassaladores da crise do século XIV, representados pela trilogia “guerra, peste e fome”. Utilizando-se sempre da sátira, o filme de Monicelli focaliza a decadência das relações sociais no mundo feudal, o poder da Igreja católica, o cisma do Oriente e a presença dos sarracenos.

Tal como naquela época como agora, lutar contra os princípios capitalistas nas cidades é como lutar como Dom Quixote, ou, ainda, a Cassandra, da mitologia grega.

Cassandra uma jovem de magnífica beleza, devota servidora de Apolo. Foi de tal maneira dedicada que o próprio deus se apaixonou por ela e ensinou-lhe os segredos da profecia. Cassandra tornou-se uma profetisa, mas quando se negou a dormir com Apolo, ele, por vingança, lançou-lhe a maldição de que ninguém jamais viesse a acreditar nas suas profecias ou previsões.

Cassandra passa a ser considerada como louca ao tentar comunicar à população troiana as suas inúmeras previsões de catástrofe e desgraça.

É só escolher.

A CIDADE GLOBAL E SUA NOVA GEOGRAFIA – Comentários sobre entrevista de Saskia Sassen

Posted in Meio ambiente e urbanização with tags , , on 06/06/2010 by gotaspaulistas

Muito se tem falado a respeito dos processos de globalização e seu impacto na questão urbana. Desde a nova cidade baseada em redes – quer sociais, quer de infraestrutura – a cidade permanece como fenômeno social que se adapta a cada tempo e às mudanças nas formações sociais. Explorando os posicionamentos advindos dos impactos desta nova era de predominância tecnológica, comparece a visão da visão da americana, professora de sociologia da Columbia University e da London School of Economics, Saskia Sassen.

Cidade - o local onde o velho e novo conversamSeus estudos se aprofundaram na questão da globalização e é dela a cunhagem do termo “Cidades Globais”. Segundo ela, em entrevista ao Caderno Aliás do jornal “O Estado de São Paulo” de 08 de junho de 2010, “tenho me dedicado ao tema da sociedade civil, suas dinâmicas e formas de expressão, considerando ser esse um dos capítulos mais fascinantes dos estudos sobre globalização. ” Ainda segundo ela, existe um interesse particular pelas novas geografias sociais que configuram nosso tempo. Este tema é especialmente caro para quem, como nos do gotaspaulistas, que tem como pretensão, a narrativa cotidiana dos destinos da(s) cidades(s). Um dos principais eixos entre os temas tratados pela Professora Saskia Saaken é o novo papel da sociedade na construção/modificação dos espaços e das cidades. Em seus comentários, ela revela que que existe  um potencial não realizado nas organizações sociais e em seus projetos ocasionados pela exposição a uma grande quantidade de informações e a implementação de transformações, que  só se dão em tempos mais longos.  Segundo a Prof.a Saskia, ” organizações da sociedade civil, nem todas, mas muitas, querem atuar no plano global, sem utilizar sua capacidade para tanto. Porque não sabem lidar com um mundo tambem feito de globalizações laterais, umas conectadas às outras.”

Além de atentar para as questões de segurança, trabalho/migrações e o posicionamento dos jovens neste movimento, ela levanta – também a questão sobre novos aspectos da globalização, mais ligados aos aspectos humanos no mundo. Neste sentido, a Professora explica: ” Existem múltiplas globalizações. A econômica, a corporativa, a financeira, a tecnológica. Nota-se nisso tudo certa tendência de desumanização da nossa vida e da nossa subjetividade. Mas outras globalizações também estão em curso, como da sociedade civil, da defesa dos direitos humanos, das lutas pela preservação do meio ambiente, e essas nos humanizam de maneira profunda.” Esta afirmação de Saskia expõe à luz novos sentimentos coletivos de luta e solidariedade que nunca tinham sido tão bem notados quanto agora.

Por fim ela comenta sobre o surgimento das cidades globais, espaços complexos, carregados de contradições, onde o poder corporativo se consolidou de forma espantosa, criando geografias da centralidade que hoje conectam lugares e pessoas, cruzando a histórica divisão Norte e Sul. Ainda segundo ela, outras minorias, os vulneráveis, os desabrigados, os discriminados, enfim, os deslocados, vão justamente encontrar espaço para seus projetos de vida, resitência e exigências. Esta afirmação faz lembrar ao gotaspaulistas uma frase dita por um economista há muitos anos atrás: São Paulo lembra um grande estacionamento…vc sempre encontrará uma vaga!

CHUVAS NO RIO – E O OSCAR DA TRAGÉDIA VAI PARA…

Posted in 1, Meio ambiente e urbanização on 08/04/2010 by gotaspaulistas

Desde o início a vida deste blog, chamamos a atenção sobre a fragilidade da presença humana nas cidades na sua versão globalizada. Passando pelos graves problemas de São Paulo, comentamos sobre a necessiade de se voltar ao planejamento urbano, especialmente diante dos grandes desafios internacionais que nos circundam : a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Desta vez, o Oscar da Tragédia chega ao Rio de Janeiro, já despertando – como sempre – a procura pelos culpados. O desfile de especialistas é imenso, cada qual alertando para o atenimento de uma ou outra questão, quase sempre pertinente. No entanto é mais fácil do que parece encontrar os culpados ou o culpao, até porque cabe a ele o destino do coletivo urbano : a administração pública que deixou a população morar em locais impróprios. No entanto, escapando deste local comum, sempre é de bom alvitre o dar-se dois passos para trás e forma a possibilitar a visão mais ampla e, como consequência o seu entendimento. 

É bem possível que nos próximos 50 anos a Região Metropolitana de São Paulo concentre uma população maior do que a de Tóquio (Japão), hoje com mais de 26 milhões de habitantes. Felizmente, é improvável que ela acompanhe o ritmo de crescimento populacional projetado pelas Nações Unidas para Lagos (Nigéria), Jacarta (Indonésia), Dhaka (Bangladesh), Karachi (Paquistão) ou Bombaim, Nova Deli e Calcutá, na Índia. Essas grandes concentrações humanas acolherão as maiores populações do século XXI, ultrapassando, além de Tóquio, a Cidade do México e Nova Iorque (EUA), posicionadas como as maiores aglomerações urbanas durante boa parte do século passado. Por outro lado, no encontro do Forum Urbano Mundial que aconteceu exatamente na semana passada no mesmo Rio de Janeiro, especialistas informam que os pobres não são estúpidos. Ao migrarem do campo para as cidades, tendência mundial que muitos analistas veem como irreversível, fazem isso após avaliarem suas condições de vida em áreas rurais e compararem com o que encontrarão nas cidades.

 As estatísticas dão razão a eles. Por isso, a tentativa de interromper o fluxo migratório tende a ser inútil, e o melhor a fazer é preparar as cidades para receberem essa população . O alerta é de um dos maiores especialistas mundiais em favelas, o sul-africano William Cobbett, que foi um dos principais palestrantes do 5º Fórum Urbano Mundial, realizado na semana passada, no Rio. Juntando-se os dados levantados acima, poemos concluir que:

  • a urbanização acelerada se dará – principalmente – nos países considerados em crescimento hoje;
  • podemos assumir que esta urbanização continuará a se dar nos moldes já conhecidos;
  • que, possivelmente,continuaremos a distribuir o “Oscar” das tragédias urbanas.

 Uuma questão que desliza mais do que encosta no debate sobre as cidades é sobre a sua natureza no Brasil – vivemos em cidades capitalistas. Estamos acostumados a ver e a ler notícias onde desponta o fato da distribuição de renda, ascensão social, entre outros fatores de qulificação eminentemente econômicos. Na verdade, após todos estes anos  e após ainda inúmeros debates e a realização de inúmeros diplomas legais, não conseguimos modificar o principal componente da nossa realidade – a natureza capitalista da cidade. Isto significa que a habitação deixa de ser condição e direito da população para se tornar mercadoria – à disposição de quem pode pagar. Neste caso, quem não pode pagar se dirige para as áreas onde a população com renda não quer ir (por vários motivos) ou, ainda, para´as áreas onde ninguém pode morar, além dos passarinhos, borboletas e o restante da fauna e da flora. Nesta hora absurda se pro curam os culpados..Seria bom lembrar que o “milagroso” programa “Minha casa, minha vida” não decola nas grandes metrópoles por uma simples questão – faltam áreas adequadas para a realização de habitações que sejam prouzidas no valor para quem será o seu beneficiário. São e saudosa memória os textos do David Harvey, que há quase vinte anos atrás falava em justiça social e cidade. Recentemente a arquiteta  Raquel Rolnik escreveu no “Le Monde Diplomatique Brasil” que não se poderia fazer habitação SEM urbanização. Isto significa oferecer não só habitação, mas comida, diversão e arte, além de ,claro, saúde, educação, trasporte e emprego. Ufa! É muita culpa, mas a pior, sem dúvida vai para o sistema capitalista urbano.

Para ele o Oscar da tragédia.

AGUA DO LUXO AO LIXO – Uma homenagem do gotaspaulistas ao Dia Internacional da Água

Posted in 1, Meio ambiente e urbanização with tags , , , on 22/03/2010 by gotaspaulistas

De sobrevivência, em sentido estreito, a artigo de luxo, será que, de acordo com os catastrofistas, será esse o fim dos recursos hídricos? Como exemplo,a marca de água mineral Evian escolheu o estilista Jean Paul Gaultier para criar duas garrafas estilizadas com cristais reluzentes
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A FRAGILIDADE DA PRESENÇA HUMANA NO PLANETA – Sustentabilidade nas cidades

Posted in Meio ambiente e urbanização with tags on 11/11/2009 by gotaspaulistas

O “apagão” de ontem – dia 10 de novembro de 2009 – foi mais um dos – muitos – sinais da fragilidade da presença humana no planeta. Como é efêmera esta nossa dominação sobre os recursos naturais e sobre os demais seres viventes. Bastou uma ventania (?) ou uma chuva mais forte para que a metade do Brasil apagasse. E não é somente a questão das luzes, mas sim da energia que move e movimenta a nossa sociedade. Sem energia, para tudo: sem televisão, sem intenet, sem telefone. Voltamos aos primórdios da civilização. Só que somos muitos e encarapitados em habitações altíssimas e morando a imensas distâncias do local onde trsbalhamos. Somos completamente dependentes da tecnologia. E o pior: não sabemos mais como viver de outra maneira. A população na rua não sabia como agir, nem o que fazer.

imagem sp apagao

Já vai longe os tempos onde a sustentabilidade era a marca da presença humana e na orientação dos seus assentamentos. O processo de urbanização só acontecia quando ou a fartura ou a tecnologia permitiam o afastamento da mão de obra da agricultura, da produção de alimentos. O número de humanos sobre o planeta, em seus primórdios, era diretamente atrelado à presença dos alimentos. Ficaram notórias as fomes da Idade Média representadas pela queda da produção agrícola.

Com o advento da revolução industrial, pela primeira vez a produção econômica das cidades sobrepuja a produção da agricultura. No entanto, não demorou muito para que a chamada “revolução verde” chegasse ao campo, proporcionando – por meio de novas tecnologias rurais e pela quimificação da agricultura – o aumento proporcional da produção para o abastecimento urbano.

Ainda que o tema do aquecimento global seja o tema do momento nas discussões que se fazem sobre o meio ambiente, seria importante lembrar que a crescente população humana no planeta – sendo que 80% dela nas cidades – vem consumindo cada vez mais e aumentando a pressão pela qualidade da produção rural, a demanda pelos minérios está solapando o subsolo dos países, o desmatamento acabando com a água superficial, a pesca indiscriminada acabando com os peixes,e por últimos, dentre outros a nossa falível matriz energética à base do carvão, madeira e combustíveis fósseis. Tudo isso associado às montanhas de degetos que produzimos. Convenhamos: somos ou não frágeis?